Luto na PM da Bahia: Governo não ouve e não cuida de policiais que vivem no limite físico e mental

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Salvador: O último domingo, 28 de março de 2021, certamente entrou para história como um dos dias mais tristes e talvez revoltantes da Polícia Militar do estado da Bahia. As 23h00 foi confirmada a morte do PM Wesley Soares Góes, que era noivo e era lotado na 72ª Companhia Independente de Policia Militar havia pelo menos quatros anos.

O PM Wesley em uma forma de chamar a atenção do Governo do Estado, chegou ao Farol da Barra, e em posse de um fuzil realizou disparos para o alto. O fato chamou atenção, e diversas viaturas se deslocaram para tentar conter a ação do PM. O comando da PM divulgou a informação que o PM Wesley possivelmente estaria em “surto”, e que ele apresentava descontrole emocional, mas familiares e amigos contestam essa informação.

Após os disparos, e a chegada de diversas viaturas, foi deslocada uma equipe do Batalhão de Operações Especiais (BOPE), que após mais de 03 horas de negociações, e alegando um suposto ataque a tiros do PM, baleou Wesley que foi socorrido pelo SAMU até o Hospital Geral do Estado (HGE), mas não resistiu e veio a óbito.

Informações do Portal Yahoo apontam que o PM Wesley foi atingido por cerca de 10 disparos, mostrando que ação foi um completo desastre, já que o BOPE é geralmente chamado para controle de crise, e por se tratar de um “irmão de farda”, a ação poderia ter um desfecho diferente, e a vida de um policial, sonhador, querido e amigo, seria salva.

Wesley estava fardado e com o rosto pintado nas cores verde e amarelo, e em uma rápida busca nas redes sociais do PM, é possível vê que o fato do último domingo, foi na verdade o limite de uma luta mental que a maioria dos policiais passa todos os dias. Em uma postagem compartilhada que vem viralizando, mostra o PM em um momento de desabafo, onde relata algumas atitudes que estão sendo impostas aos militares da Bahia, e que está gerando muito desconforto.

Na postagem, o PM teria dito “Eu quero trabalhar com honra, com dignidade. Eu não vou prender trabalhador, não entrei na polícia pra prender pai de família. Quero trabalhar com dignidade porque eu sou policial militar da Bahia”. A família do PM alega que ele nunca apresentou qualquer tipo de distúrbio ou surto.

Quem conhece de perto algum policial, tanto militar, quanto civil do estado da Bahia, sabe a luta psicológica e física que eles vivem. Com condições de trabalho precárias; armamento e transportes sucateados; salários defasados há mais de 06 anos; parte estrutural de delegacias e sedes de Companhias que são praticamente mantidas pela iniciativa privada e prefeituras, e o pior, a falta de acompanhamento psicológico.

Os policias todos os dias não apenas combatem o crime que a cada dia está mais organizado, bem armado e estruturado, mas também partilham de problemas do dia a dia, como acidentes de trânsito, brigas familiares, desordem, e muito das vezes prestam serviços que não competem a eles, mas buscam sempre servir.

Os policiais não são ouvidos por seus comandantes gerais, que a cada dia mostram um envolvimento político maior, tentando garantir cargos, e esquecendo de garantir dignidade e honra a homens e mulheres que todos os dias vestem não apenas uma farda, mas muito das vezes uma capa de super herói.

Nossos heróis estão expostos e com a saúde mental fragilizada, e o caso do PM Wesley afirma ainda mais isso. As ações do Governo do Estado nunca mostram preocupação com o bem-estar mental ou físico dos profissionais da Segurança Pública. No perfil oficial da Polícia Militar da Bahia, após publicação de uma nota, diversos comentários vão contra as justificativas e o resultado da ação, que tirou a vida do PM Wesley.

Acompanhe algumas das postagens: “Vocês deveriam ter vergonha isso sim” – “Cadê a honra?” – “Vocês já atuaram de forma correta e totalmente precisa em diversos casos. Mas, o que ocorreu hoje só demonstrou MAIS UMA VEZ que a Polícia Militar é despreparada! Fico triste vendo isso.” – “Vai puxar o saco do governador até quando? Irmãos estão morrendo todos os dias e vocês não estão nem ai”.

Outro fato que vem causando revolta, é que em tempos de pandemia devido ao Covid-19, o governador Rui Costa solicitou e cobrou da PM, blitz em excesso, é o que afirma a ASPRA Bahia (Associação de Policiais e Bombeiros e de seus Familiares do Estado da Bahia), que em postagem, chamou o governador de genocida, por cobrar esse tipo de ação em meio ao aumento assustador no número de casos de Covid.

Alguns colegas de farda estão nas redes sociais mostrando indignação e revolta pelo caso, e muitos apontam que o PM Wesley foi executado por aqueles que deveriam estar ao seu lado, para proteger e cuidar. Outro fato apontado é que em momento algum, antes da intervenção do BOPE, Wesley atirou em direção de algo ou alguém, todos os disparos dados por ele foi para o alto, em uma clara atitude de chamar a atenção e ser ouvido.

Até o momento o governador do estado não se pronunciou, e o Comando Geral da PM apenas emitiu nota de esclarecimento pela ação do BOPE. Ontem foi o PM Wesley e amanhã quem será? Tivemos um novo Cain matando Abel no Farol da Barra? Talvez respostas que cada homem e mulher profissionais da segurança pública poderão ter em breve.

Prestamos nossas mais sinceras homenagens ao PM Wesley, e nossos sentimentos à família enlutada e aos irmãos de farda que choram e sente a angústia e dor de cada tiro recebido pelo PM Wesley.

Por: Rafael Vedra/Liberdadenews


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